2 de nov. de 2009

A un gato




Os versos que acompanham o gato que aparece no topo da página inicial deste blog são de Jorge Luis Borges. O gato é uma gravura de Aldemir Martins.

Eis o poema completo, que se encontra no livro "El oro de los tigres":


A un gato

No son más silenciosos los espejos
Ni más furtiva el alba aventurera;
Eres, bajo la luna, esa pantera
Que nos es dado divisar de lejos.
Por obra indescifrable de un decreto
Divino, te buscamos vanamente;
Más remoto que el Ganges y el poniente,
Tuya es la soledad, tuyo el secreto.
Tu lomo condesciende a la morosa
Caricia de mi mano. Has admitido,
Desde esa eternidad que ya es olvido,
El amor de la mano recelosa.
En otro tiempo estás. Eres el dueño
de un ámbito cerrado como un sueño.



No blog "Mi Gato", quando se publica esse mesmo poema, assim falam da conjunção entre poesia e gatos:

"Para un verdadero poeta, cada momento de la vida, cada hecho, debería ser poético, ya que profundamente lo es", [Borges] escribió en el prólogo. Como ese momento en que su propia mano bajó a acariciar el lomo de un gato.
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1 de nov. de 2009

Lal Ded - santa, yoguini, poeta extática da Caxemira


No século XIV, viveu na Caxemira, a santa, yoguini, poeta conhecida Lal Ded, ou Lalla Ded e Lalleśvarī. Depois de renunciar à vida num casamento tradicional, ela foi iniciada no tantrismo monista da Caxemira. Muitas são as yoguinis que viviam em êxtase, iniciadas em várias das escolas místicas indianas, porém poucas são as que ficam registradas fora do âmbito dos renunciantes, visto que nem todas produziram - como Lal Ded - uma grande obra poética transmitida ao longo dos séculos. Diz-se que um terço dos provérbios da Caxemira podem ter origem em seus dizeres.
Relata-se que Lal Ded caminhava nua, cantando, declamando seus ensinamentos, que, em certa medida, atingiram profundidade superior aos de seus mestres. Enquanto a maior parte dos santos e santas da Índia entram em estado de identidade com seu deus, Lal Ded vivia absorvida no absoluto, não personificado, muito em conformidade com a visão metafísica profunda do Shivaísmo da Caxemira. Esse estado é recorrentemente descrito por meio da linguagem poética com que ficaram registrados os seus ensinamentos.
Um dos textos poéticos a ela atribuídos é o que traduzi livremente (a partir do inglês) com as seguintes palavras:

Meu mestre ensinou apenas uma lição:
"Olha pra dentro e fixa na profunda presença".
Guardando este preceito em meu coração,
em plena nudez dei início à minha errância.

Para conhcer outras mulheres extáticas da Índia, o livro Female Ascetics in Hinduism, de Lynn Teskey Denton, que me serviu de fonte, é uma boa orientação. Há boa quantidade de informação online sobre Lal Ded, entre elas o livro "Lal Ded - the Great Kashmiri Saint-Poetess, que está disponibilizado por inteiro aqui:






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